O filme A Noiva Síria ajuda a entender um dos diversos conflitos do Oriente Médio sob a ótica do sofrimento feminino
Por Rodrigo AlvesA certa altura de A Noiva Síria, o espectador se pergunta: “Por que tudo isso para um simples casamento?”. A falta de entendimento vem especialmente de quem não está inserido no contexto complexo que compõe a conflituosa geopolítica do Oriente Médio.
Neste mês, completaram-se 41 anos da Guerra dos Seis Dias, também conhecida como Guerra Árabe-Israelense de 1967. Nela Israel esteve em combate contra Egito, Síria e Jordânia. Ao final do conflito, o estado judeu capturou Jerusalém, hoje sua capital, o Monte do Templo, West Bank, Gaza e Colinas de Golam.
É neste último local que se passa o filme de Eran Riklis. Lá, além dos colonos israelenses, vivem 22 mil drusos, uma pequena comunidade religiosa autônoma que reside também no Líbano, Síria, Turquia, Jordânia e outras partes de Israel. Estima-se que juntos às comunidades expatriadas nos EUA, Canadá, América Latina, Austrália e Europa somem 1 milhão em todo mundo.
A noiva do título, Mona, é drusa. Seu povo fala árabe e segue modelo social semelhante ao árabe, apesar de não serem considerados muçulmanos pela maioria dos muçulmanos. Em uma definição precisa, eles são monoteístas com elementos islâmicos e cristão-judaicos e assumem a identidade do lugar onde vivem para serem aceitos.Complicação – No filme, Mona vai se casar com um primo, também druso, que vive do lado Sírio. Ele não pode, conforme a determinação de Jerusalém, pisar nas Colinas de Golam. Eles só se conhecem por foto e assim que ela atravessar a fronteira perderá a identidade natal para nunca mais voltar a ver a família.
A complicação do casamento deve-se ao conflito sobre a região. Israel considera-a sua terra, anexada de guerra, enquanto a Síria, como seu território tomado à força. Hoje, oito anos após o tempo em que se desenvolve o filme (ano 2000), apesar notícias recentes de uma significativa possibilidade da devolução das terras aos sírios, a situação continua a mesma.
Com um jeito simples e tradicional de conduzir a trama, Riklis acentua o drama de Mona, resignação em pessoa, e sua irmã Amal, infeliz no casamento, que titubeia entre se libertar da opressão do marido e seguir as tradições drusas patriarcais. De maneira sensível, os menos acostumados à história do Oriente Médio são conduzidos, sob a ótica feminina, ao entendimento sobre a guerra entre povos que dividem a mesma terra.
Elenco afiado e bela trilha sonora só não fazem A Noiva Síria um filme perfeito porque Riklis esbarra no paradoxo que ele mesmo cria. Ao apresentar personagens e argumento ricos, cria expectativa para um filme maior, que não se realiza. O resultado, contudo, é satisfatório. Uma obra singela, aula humanizada de história sobre um impasse sem fim.
Serviço
Filme (DVD): A Noiva Síria (The Syrian Bride) – Israel / França / Alemanha, 2004. 97 min. Drama.
Direção: Eran Riklis
Elenco: Hiam Abbass, Makram Khoury, Clara Khoury, Ashraf Barhom, Eyad Sheety, Evelyn Kaplun
Distribuidora: Europa Filmes
Preço médio: R$ 29,90
Site: www.syrianbride.com
Rodrigo Alves é jornalista e especialista em Jornalismo Literário
domingo, 22 de junho de 2008
Cinema
Um casamento, um drama
Postado por Plural Blog às 19:31
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2 comentários:
Cara Vídeo tem, Rodrigo?
Tem sim, Deire.
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