terça-feira, 30 de outubro de 2007

 

Quando não havia Photoshop...

Uma visita à exposição Marilyn Monroe – O mito, em companhia de duas mulheres

Por Carlos Eduardo Melo

A ressalva feita no subtítulo é importante, pois suscita interessantes questões que merecem ser analisadas. Diante das imagens do fotógrafo americano Bert Stern, feitas para a revista Vogue, no tradicional hotel Bel Air, de Los Angeles, em 1962, apenas seis semanas antes da morte da atriz, o olhar feminino capta, nesse caso, sutilezas e detalhes que escapam à contemplação masculina.

Marilyn não foi a melhor atriz nem de sua geração. Não foi sequer a mais bonita, nem um modelo de comportamento a ser seguido pelas jovens da época. Qual, então, a razão do fascínio que essa loura exercia e ainda exerce sobre tanta gente, 45 anos após a sua morte?

O mito Marilyn Monroe talvez seja a matriz do estereótipo da loura burra – aquele tipo de mulher gostosona, de poucos neurônios e formas fartas, a quem os canalhas seduzem com duas ou três mentiras e depois abandonam com outras tantas evasivas. Mas fosse burra e descartável de verdade, certamente seu brilho não atravessaria décadas.

Outro ponto que possivelmente justifica a construção do mito é o fato da bela ter morrido cedo. O mundo pop adora esse tipo história. Além disso, Marilyn, a despeito de sua beleza, era uma mulher triste, solitária, cujo lado interior pouco havia vindo à tona em vida, ofuscado sempre pela sua enorme exuberância plástica.

Nas fotos realizadas por Bert Stern em três dias, vê-se a musa em fase mais madura. Além disso, contam os registros feitos pelo sortudo que, durante as sessões, os dois tomaram algumas garrafas de vinho. Isso pode explicar de certo modo a atmosfera de mistério e sedução que envolve cada fotograma. A idade, o álcool, essa combinação produz alguns efeitos mágicos, que há séculos povoam o imaginário masculino.

A ótica feminina, porém, enxerga detalhes que escapam aos olhos dos homens. O olhar provocante, o sorriso sedutor não são o que mais se destacam. Nem a qualidade do trabalho fotográfico, a composição, as cores.

Chamam a atenção delas, a artificialidade das poses, a tintura do cabelo, as rugas, as sardas, os quilos a mais, a cicatriz de uma operação de visícula. Doutor Photoshop, o cirurgião plástico virtual, corrigiria facilmente esses “defeitos”. Mas aí não seria Marilyn. Poderia ser qualquer outra, a musa das novelas, a musa do samba, a musa do esporte ou qualquer uma do Big Brother, lindas, formosas, moldadas a bisturi, silicone e computação gráfica. Reinariam absolutas nas paredes de borracharias, nos quartos dos adolescentes, nos sites de mulher nua, nos programas de TV e em revistas de fofoca.

Mas por quanto tempo?

Serviço
Exposição: Marilyn Monroe – O Mito (Fotografia)
Data: Até 25 de novembro, de terça à domingo
Horário: terça a sexta, das 12h às 18h, sábado e domingo, das 12h às 19h
Preço: R$ 5
Local:
Museu de Arte Moderna (MAM) Av. Infante Dom Henrique - 85 Centro – Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2240-4944 / 2240-4924

Carlos Eduardo Melo é jornalista e especialista em Jornalismo Cultural

2 comentários:

Sid Field disse...

Scarlet Johansson é a Marilyn Monroe dos tempos modernos. Bonita, sexy e de poucos e inoperantes neurônios.

Anônimo disse...

bom comeco